Praias Arenosas

As praias arenosas são formadas pelo depósito de partículas que foram transportadas por correntes de água de outras áreas. A origem é da erosão da zona costeira, mas, a maior parte é proveniente do solo e transportada pelos rios até ao mar. Os principais tipos de material são o quartzo (sílica) de origem terrestre e, o material carbonatado do desgaste das conchas de moluscos e esqueletos de outros animais. Elas representam 2/3 do litoral livre de gelo do mundo e, servem como zonas tampão que protegem o litoral, falésias e dunas das ondas. São ambientes extremamente dinâmicos, onde areia, água e ar estão sempre em movimento.

Há dois tipos básicos de praia, a dissipativa, em que a onda é forte e ou o tamanho da partícula do sedimento é fino. As praias deste tipo são planas e sofrem uma forte erosão. Os sedimentos são armazenados numa zona de rebentação ampla que pode ter vários bancos de areia paralelos à praia. Elas possuem uma vasta zona de rebentação (entre 300 a 500 m) com baixa inclinação e largura e ondas fortes entre 2 a 3 m de altura. O outro tipo é a reflectiva, que surge quando as condições do mar são calmas e ou o sedimento é grosso. Elas têm ondas fracas com aproximadamente 0 a 1 m de altura. São caracterizadas por uma face da praia relativamente estreita e íngreme, composta por areia grossa e uma zona de rebentação estreita. Este tipo de praias são relativamente curtas no comprimento em comparação com os outros tipos de praia porque, tendem a formar-se nas zonas abrigadas, recifes, etc.

A zona costeira brasileira (mais de 7.00 km) abriga um mosaico de ecossistemas de alta relevância ambiental, como dunas, restingas, costões rochosos, manguezais e praias arenosas.

Assim como outros ecossistemas costeiros as praias arenosas estão submetidas as marés, sendo:

  • Marés vivas ou de sizígia nas fases de lua cheia e lua nova, quando a atração lunar soma-se ao máximo à solar, produzindo grandes oscilações do nível da água; e

  • Marés mortas ou de quadratura, nos quarto crescente e minguante, quando, devido ao não alinhamento do sol, terra e lua, os efeitos da atração são atenuados e, portanto, o fluxo e refluxo das águas.

A variação diária de maré determina três zonas principais, que são: – Supralitoral, faixa superior, constantemente umedecida por borrifos, mas apenas coberta pelo mar por ocasião de marés altas excepcionais, ressacas ou tempestades; Mesolitoral, faixa intermediária, sempre coberta e descoberta pelas marés duas vezes por dia; e Infralitoral, faixa inferior, quase sempre submersa, eventualmente exposta durante as marés baixas de sizígia, ou seja, nas fases de lua nova e lua cheia.

Os organismos distribuem-se em função principalmente de sua capacidade de evitar a exposição ao ar e, consequentemente, a perda de água por evaporação. No supralitoral podem ser encontrados o grauçá, pulgas da praia, tesourinha, e alguns aracnídeos, vindos do continente, aventuram-se nesta faixa, às custas de tolerar a influência da água salgada. No mesolitoral, temos crustáceos, poliquetas e moluscos – todas de origem marinha, apresentando particularidades morfológicas ou comportamentais para impedir a perda de água durante a baixamar. O infralitoral é habitado por formas quase sem adaptações para a vida fora d’água, como a Renilla, podem até morrer quando ocorrem marés excepcionalmente baixas e de longa duração, principalmente durante dias de calor intenso.

As praias arenosas recebem visitantes ocasionais, como gaivotas e maçaricos, em busca de alimento. Resta ainda mencionar a presença de componentes de outras comunidades marinhas que são trazidos à praia pelos ventos, ondas ou correntes. Destaque para a caravela, pela sua capacidade de produzir queimaduras perigosas que podem até requerer cuidados médicos. Alguns organismos que habitam as praias arenosas: – Emerita brasilienisis (tatuíra – crustáceo); Lepidopa richmondi (tatuíra – crustáceo); Americonuphis casamiquelorum (poliqueta); Coronis scolopendra (tamburutaca – crustáceo); Ocypode quadrata (maria-farinha ou grauçá – crustáceo); Tellina sp (unha-de-moça – molusco); Tivella mactroides (molusco bivalve); Arenaeus cribarius (siri-chita – crustáceo); Callinectes sp (siri-azul- crustáceo); Balanoglossus clavigerus (enteropneusto); Luidia senegalensis (estrela de nove braços- equinodermata); Olivancillaria brasiliensis (molusco gastrópode); Donax hanleyanus (sarnambi – molusco); Encope emarginata (bolacha-da-praia – equinodermata); Renilla sp (rim-do-mar); Callichirus major (corrupto- crustáceo); Callichirus mirim (camarão da areia – crustáceo); Hastula cinerea (molusco gastrópode).

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