A RESILIÊNCIA DOS MANGUEZAIS

26-08-2020

A natureza, com todos os seus seres vivos (plantas, animais e microrganismos) e seu ambiente não-vivo (água e o solo), interagem como uma “unidade funcional – o que conhecemos como ecossistemas” prestam serviços indispensáveis à nossa sobrevivência. São diversos benefícios diretos ou indiretos usados pelo ser humano, tendo a qualidade de vida e bem estar da sociedade como o maior deles. Cada “serviço” que a natureza, através de seus ecossistemas, nos fornece são chamadas de “funções ecossistêmicas”.

            O manguezal é um desses vários ecossistemas, e injustamente, é o um dos que mais sofre por ações resultantes da conduta inadequada dos mesmos seres humanos que se utilizam desses serviços. Você não usa o manguezal? Nem o importante papel dele no sequestro do Carbono Atmosférico, um dos vilões no aumento do aquecimento global? Sim, esse pode ser considerado como um dos seus serviços principais.

            Mas, para que esse ecossistema continue nos fornecendo esse, e outros serviços, como ser o berçário da maior parte dos recursos pesqueiros, sustento para diversas famílias de pescadores, a filtragem da água que desce dos rios contaminados (também, por nós seres humanos), e seu papel climático e paisagístico, esse ecossistema empreende verdadeira luta para sobreviver, tentando renascer.

            Vamos te contar um dos porquês de nossa admiração e empenho, na conservação dele. Num desses serviços ecossistêmicos fornecidos ao meio ambiente, os manguezais conseguem reter os resíduos sólidos que descem pelos rios ou são carreados pelas correntes e acabariam em nossos oceanos e praias (como se já não bastasse o tanto que se acumula nesses ambientes). O que a natureza não esperava é que além de galhos, folhas e sedimento, os resíduos sólidos passassem a ser: pneus, fogões, geladeiras, carcaças de televisores, baldes e embalagens descartadas pelo ser humano.

            O Projeto UÇÁ, realizado pelos Guardiões do Mar, por meio de uma de suas ações, a Operação LIMPAOCA, realizou a limpeza de uma área de 28 hectares de manguezal na foz do rio Caceribu e Guaxindiba (no recôncavo da Guanabara), e retirou 35 toneladas de resíduos sólidos que ficaram retidos entre as árvores de mangue, que acabariam carreados para as águas da Baía de Guanabara.

            Nossa grande surpresa foi perceber que, por baixo desse volume de objetos estranhos a esse ambiente, os diversos seres vivos teimavam em sobreviver – propágulos de árvores, algas, caranguejos de várias espécies, sem falar a importante micro-vida no sedimento que transforma todos os resíduos naturais, mais uma vez, em alimento para a vida marinha.

            Agora, 6 anos depois, esse local renasceu. Observamos a volta da floresta de mangue, todas as tocas de caranguejos com seus habitantes e, no solo, vários dos seres vivos renascendo. Toda a vida retomando aos poucos, o equilíbrio. Teimando em sobreviver, insistindo em continuar nos fornecendo aqueles tão importantes serviços ecossistêmicos. Isso é resiliência!

            Mas, o que homem faz de errado às vezes o próprio homem precisa ajudar a corrigir. Nós, do Projeto UÇÁ, contamos com o patrocínio da @Petrobras por meio do Programa Petrobras Socioambiental e com a importante parceria dos pescadores artesanais e catadores de caranguejo para continuar ajudando.

Obrigado Mãe natureza, não desista de nós!

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