Projeto Uçá renova parceria com Petrobras

15-01-2019

A pesca do caranguejo uçá é uma das atividades econômicas mais importantes nos manguezais brasileiros e uma das principais fontes de subsistência das populações litorâneas. Por essas características, a espécie inspirou e deu nome ao Projeto Uçá, uma iniciativa da ONG Guardiões do Mar para promover a melhoria da qualidade ambiental de municípios que constituem ou interagem com a bacia da Baía de Guanabara. O projeto, que teve sua primeira fase entre os anos de 2012 e 2014, acaba de ter sua parceria renovada pela Petrobras por mais dois anos.

Criado em 2012, o projeto Uçá resultou no reflorestamento de uma área equivalente a 10% da área já restaurada pela APA de Guapimirim, além de ter sido objeto de artigos, trabalhos de conclusão de curso e quatro  dissertações de Mestrado. Para o biênio 2018-2020, ele vai atuar na melhoria da qualidade ambiental em oito municípios da região da bacia da Baía de Guanabara: Maricá, Niterói, São Gonçalo, Itaboraí, Guapimirim, Magé, Cachoeiras de Macacu e Teresópolis. O projeto tem basicamente quatro eixos temáticos: ações para promoção da sustentabilidade; educação ambiental; pesquisa científica e democratização do conhecimento.

O projeto vai realizar a manutenção de ambientes recuperados em edições anteriores, com reposição de mudas e monitoramento nas duas áreas revegetadas entre 2013 e 2016, na região da Baía de Guanabara. Também serão feitas ações de manutenção e monitoramento de manguezais, de educação ambiental e de produção de conhecimento científico de forma sustentável, priorizando os pescadores e catadores e caranguejo. O objetivo é contribuir para o conceito de “Lixo zero” e as práticas corretas de descarte de resíduos sólidos na Baía.

Segundo o biólogo Pedro Belga, presidente da ONG, os resíduos sólidos são descartados de forma incorreta e, por isso, chegam nos manguezais da Baía de Guanabara como um dos maiores poluentes e fonte de degradação do ecossistema. Com vasta experiência na implantação de projetos nas comunidades, o biólogo ressalta que é fundamental saber como mobilizar as pessoas. “Tem todo um processo de pedir licença. Os projetos se instalam na área onde vão atuar, passam a ser aceitos e fazer parte do cotidiano para só então começar a tentar promover a mudança. Quando começo um projeto, me instalo na comunidade. Falo a linguagem deles, temos avançado assim”, revela.

O problema do lixo no ambiente marinho tornou-se uma política da ONU. Por isso, o projeto tem como um dos objetivos disseminar boas práticas ambientais, utilizando a educação ambiental como principal ferramenta para promover a reflexão sobre o correto descarte de resíduos. O Uçá também vai promover ações de capacitação e engajamento com os pescadores e catadores de caranguejo. Entre elas, a implantação de trilhas aquáticas; cursos básicos em educação ambiental. As ações de turismo de base comunitária preveem cursos de administração de micro empreendimentos, gastronomia, hospedagem local, condução de visitantes e confecção de lembranças turísticas locais. Tudo isso, em parceria com as principais Unidades de Conservação da região, que são a Área de Proteção Ambiental de Guapi-Mirim e Estação Ecológica da Guanabara, ambas ligadas ao ICMBio.

Como todos os projetos da Guardiões do Mar, o Uçá também vai focar na produção de conhecimento científico, fornecendo subsídios para políticas públicas de conservação nas regiões de atuação e demonstrando a interrelação entre os manguezais e a valorização de comunidades tradicionais (pescadores e catadores de caranguejo principalmente). Esse conhecimento será compartilhado com a população por meio da inauguração da Exposição do Mangue ao Mar, evento que deve aproximar a comunidade acadêmica dos povos tradicionais e alunos e professores de escolas públicas.

“O grande desafio de um projeto que trabalha com o ecossistema manguezal, principalmente no estado de degradação como é a Baía de Guanabara, é tornar esse ambiente considerado sujo, malcheiroso e poluído num personagem que merece cuidado e atenção”, explica Pedro Belga, atento à necessidade de ter a seu lado pessoas que estejam dispostas a trabalhar por uma nova realidade. “Queremos formar uma grande força-tarefa para a conservação dos manguezais. Porque só quando as pessoas conhecem bem o meio ambiente é que se engajam em ações de preservação.”

Entre seus aliados está Alaildo Malafaia, que há 40 anos vive da pesca artesanal na Baía de Guanabara e preside a cooperativa Manguezal Fluminense, responsável pela restauração ecológica de manguezais da APA de Guapimirim. Atuante há 12 anos, desde 2013 a entidade trabalha em parceria com a Guardiões do Mar, que faz a coordenação técnica das ações executadas pela cooperativa liderada por Alaildo. “O técnico e o empírico, quando se juntam, só podem dar bons frutos”, diz o pescador, de 56 anos. “Através de projetos como o Uçá, me sinto realizado de poder contribuir diretamente pro ecossistema de onde eu e outros pescadores artesanais tiramos o nosso sustento. Sem contar o impacto desse trabalho na nossa atividade econômica, já que um manguezal saudável impacta diretamente no aumento da produção de camarões, caranguejos e outras espécies marinhas.”

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